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Quem foi Maria Elizabeth, a menina que teria previsto a própria morte em acidente e virou santa popular no RS

Túmulo de Maria Elizabeth de Oliveira, em Passo Fundo, no norte do estado, atrai devotos há 60 anos. Eduarda Costa/Agência RBS Fé e devoção atraem visitan...

Quem foi Maria Elizabeth, a menina que teria previsto a própria morte em acidente e virou santa popular no RS
Quem foi Maria Elizabeth, a menina que teria previsto a própria morte em acidente e virou santa popular no RS (Foto: Reprodução)

Túmulo de Maria Elizabeth de Oliveira, em Passo Fundo, no norte do estado, atrai devotos há 60 anos. Eduarda Costa/Agência RBS Fé e devoção atraem visitantes todos os anos ao túmulo de Maria Elizabeth de Oliveira, uma menina que morreu aos 14 anos em Passo Fundo, no Norte do RS, e que é considerada santa. Ela sofreu um acidente de trânsito há 60 anos. O curioso é que ela teria dado detalhes sobre sua morte antes que acontecesse. Com o passar das décadas, sua história ganhou força entre devotos, que visitam o túmulo para dar graças e fazer pedidos. Conhecida como "santinha de Passo Fundo", Maria Elizabeth e outras quatro crianças foram atropeladas por uma Volkswagen Kombi em 1965. Somente ela se feriu com gravidade e faleceu horas depois no hospital. 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp "Em 28 de novembro de 1965, domingo, Maria Elizabeth brincava com amigas na calçada de sua casa, na esquina da Avenida Presidente Vargas com a Rua Padre Valentim, quando uma Kombi da empresa de transporte urbano Vera Cruz, conduzida por Gentil Lima, desgovernada, invadiu a calçada e atropelou o grupo de crianças", conta a historiadora Gizele Zanotto, coordenadora do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade de Passo Fundo. O acidente foi noticiado em rádios e teve grande repercussão, fazendo com que moradores se reunissem em frente à casa de saúde em busca de notícias. Logo após o sepultamento, seu túmulo no Cemitério Vera Cruz passou a ser visitado. Veja abaixo reportagem de 2016 sobre o caso. Os fiéis costumam oferecer rosas vermelhas à santinha. A tradição começou em seus últimos momentos de vida, com a entrega de uma flor em sua cama, no hospital, logo após o acidente. Todos os anos, centenas de pessoas vistam o jazigo, principalmente no aniversário da morte de Maria Elizabeth, em novembro. Há relatos de que, antes de morrer, Maria Elizabeth avisou aos amigos e familiares sobre o acidente. Além disso, o livro Maria Elizabeth de Oliveira: uma estrela no céu (1969), de Fidélis Dalcin Barbosa, traz depoimentos de pessoas próximas a ela que relatam o suposto desejo da menina de morrer. A jovem teria afirmado que desejava comemorar seus 15 anos "no céu". Pouco antes do acidente, a adolescente teria escolhido um caixão na vitrine de uma funerária, que "teria sido efetivamente utilizado, sem o conhecimento dos pais acerca desse diálogo com uma amiga", destaca a historiadora. Para a pesquisadora, a trajetória de Maria Elizabeth se assemelha à de outros santos católicos. "Vida benevolente, morte martirizada, realização de graças e ênfase no sofrimento e na morte." De acordo com Gizele, não há milagres atribuídos à santinha, mas há "graças alcançadas", que se materializam nos materiais deixados no Jazigo de Maria Elizabeth de Oliveira – placas, banners, flores, bilhetes, cartas, bonecas e fotografias. Maria Elizabeth de Oliveira reúne milhares de pessoas em Passo Fundo Quem foi Maria Elizabeth Maria Elizabeth nasceu em Passo Fundo, em 6 de fevereiro de 1951. Pouco tempo depois, a família se mudou para Lagoa Vermelha e, de lá, aos cinco anos de idade, a menina retornou à cidade natal para morar com os avós. Segundo o ascebispo de Passo Fundo, dom Rodolfo Luís Weber, Maria Elizabeth foi batizada na Paróquia Santa Terezinha no dia 4 de março de 1951. Ela frequentava a igreja e também auxiliava como voluntária no Lar da Menina. Além disso, frequentou o jardim de infância do Colégio Notre Dame, posteriormente o Ginásio Menino Jesus e, a partir de 1963, o Grupo Escolar Protásio Alves. Meses antes do acidente fatal, seus pais, Leda Morandi de Oliveira e Alcides de Oliveira, voltaram para Passo Fundo e ela voltou a morar com eles e com o irmão, Roberto, nascido em 1961. Apesar de ser popular no RS e atrair devotos de fora do estado e até de países vizinhos, Maria Elizabeth não é reconhecida oficialmente como santa pela Igreja Católica. Para isso, seria preciso que houvesse a canonização, mas não existe nenhum processo oficial em andamento. VÍDEOS: Tudo sobre o RS